sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Resenhando: ''Os Dois Mundos: O Arauto'', livro do autor L.N. Arantes, publicação da Editora PenDragon

Olá meus caros amigos que sempre me acompanham e transmitem as suas Marcas Literárias de forma grandiosa, tudo bem com vocês? Bom, como podem perceber, estou aqui novamente para resenhar a minha última leitura. O livro em questão chama-se ''Os Dois Mundos: O Arauto'', escrito por Licínio Arantes Neto e publicado pela Editora PenDragon, mais uma obra nacional reconhecida pela editora dos guerreiros dragões. E como vocês já sabem, vou incluir a obra no projeto OS NACIONAIS MERECEM PRESTÍGIO, onde viso indicar nossos autores e suas obras para o público. Agora, prosseguindo, estou sentado à mesa com o meu pergaminho, lugar onde está anotado tudo de mais importante sobre ''O Arauto''. Prometo não ser tão demorado, mas a análise do livro deve ser feita com calma, por isso, tenha paciência e viaje comigo por esses ''Dois Mundos'', a ampulheta está logo ali sinalizando o início de uma grande jornada. Que as masmorras do palácio não lhes sejam destinadas... vamos nessa... O GRANDE PORTAL SE ABRE PARA RECEBER OS POVOS DO MUNDO. SEJAM BEM-VINDOS, VIAJANTES DE TERRAS ALÉM.


Título: Os Dois Mundos: O Arauto
Autor: L.N. Arantes
Publicação: 2015
Editora: PenDragon
Gênero: Literatura Nacional - Fantasia
Páginas: 406


Sinopse: Um membro da Guarda Sagrada de Nistia desapareceu no Norte, terra profana e hostil. Para mostrar força perante os inimigos, um sábio clérigo do conselho convence os companheiros de que as antigas tradições do Livro Guia, que no passado os resguardava, devem ser novamente seguidas. O Grão Sacerdote, líder político e espiritual máximo de Ghandar é contrário aos velhos costumes das escrituras sagradas, o que enfraquece sua liderança entre os conselheiros. Um jogo de intrigas, conspirações e desejos de poder tem início. No meio dele é inserido um jovem paladino, que acima de tudo anseia ser membro da Guarda Sagrada. Seu objetivo é viajar para o Norte, e descobrir o ocorrido com seu irmão da Guarda Sagrada. Contudo, ele não sabe das armações por detrás de sua missão, nem conhece o ódio que o sábio clérigo e o Grão-Sacerdote nutrem um pelo outro, o ódio que gerou sua escolha para desempenhar essa jornada mortal.


O livro ''Os Dois Mundos: O Arauto'' é o primeiro da série do autor, intitulada de ''Os Dois Mundos''. Relata a jornada do jovem Mordrel Tridius que precisava provar o seu valor e tornar-se um grande membro da Guarda Sagrada da sua nação. Entretanto, Mordrel não sabia que encontraria tantos obstáculos durante a sua missão, que na verdade se tratava de um plano para o colocar em um conflito com os Senhores-Sombrios, inimigos mortais de sua nação.

''- Ouça, meu filho. Há um grande brilho em seus olhos. Você é um paladino de Ghandar, o punho dos Deuses, mas esse é um brilho de felicidade e horror. Você esperou muito por esse dia, mas está confuso com o tamanho da felicidade...''

A narrativa do livro, em 3ª pessoa, começa de forma tranquila. A apresentação do ambiente e das personagens que aparecem inicialmente, redunda de forma modesta. De início, pela espessura do livro e seu gênero, alguns hão de pensar em uma história desanimada e inexpressiva, ao menos aqueles que não se socializam com o gênero da obra, porém, provas contrárias logo ficam evidentes. A ficção mórbida imaginada logo deixa de existir na concepção do leitor e o autor ganha ao apresentar um enredo de ponta e bem atrativo. Os fãs do gênero logo se encontram com a história e podem se apaixonar com facilidade por toda a trama desenvolvida por Licínio Arantes Neto. Realmente o enredo não deixa nada a desejar se comparado a outras obras mais famosas do cenário literário. Os mundos apresentados pelo autor é repleto de classes, personagens, cidades e ambientes diversos muito bem-criados, assim como os argumentos iniciais da obra para que a missão do jovem Mordrel se iniciasse.

''- Rumores, mestre Tharon? Você diz isso porque anda descontente com nossas atitudes, nós percebemos... mas entenda... devemos restaurar a Era dos Arautos, nossos defensores, nossos destruidores de aberrações! Apenas desse modo seremos novamente temidos e estaremos a salvo!''

O livro segue à risca os bons enredos de fantasias medievais e contém mensagens positivas para reflexões ao leitor.

''Nosso maior dom é ter os pensamentos inaudíveis.''

Retornando as personagens, elas são sensacionais e mostram sua realidade própria como verdadeiros seres existentes no mundo real. São dotadas de arrogância, soberba e ganância. Demonstram bravura, força e fé. Se apresentam como verdadeiros combatentes da vida, lutando por objetivos e sonhos, de espíritos repletos de destreza para provar a si próprios os seus valores, sejam para o bem ou para o mal. Muitos que rodeavam os homens comuns e guerreiros, eram magos, feiticeiros, gnomos, leprechauns e anões, ou seja, uma diversificação muito grande de seres e classes.

É possível imaginar um filme medieval fantástico passando por sua mente.

Respeitante aos de menos experiência com histórias desse modelo, é aconselhável que leia o livro com calma e faça de sua paciência uma virtude para se ter uma boa leitura e entendimento. A atenção será muito necessária e em muitas vezes terá que ser redobrada, visto que o ambiente apresentado é muito composto. O autor é bem detalhista em sua narrativa, gosta de mencionar todos os elementos da cena e seus acontecimentos de forma bem referida. A trama proposta por Licínio Arantes Neto é de um potencial gigante. Uma traição faz nascer um verdadeiro guerreiro. A ambição pelo poder acarreta os piores acontecimentos ao povo. Realmente é para se bater palmas. As medidas, pesos, distância, tempo e outros detalhes estão todos em características fiéis aos tempos do enredo. Nota-se uma habilidade grandiosa do autor com elementos do gênero. Ele mostrou-se um conhecedor nato, o leitor não encontrará asneiras espalhadas no contexto.

Os capítulos do livro - 33 ao total - são intitulados e exibidos ao leitor ao melhor estilo possível. Ao início do livro há o desenho de um mapa que elucida melhor os locais por onde a história se passa. A arte de capa é linda e a diagramação é ótima, apresenta letras que não podem ser consideradas pequenas, levando em consideração uma melhor apresentação final do material, visto que o enredo é extenso e o livro possui 399 páginas.

A Editora PenDragon está de parabéns. O material novamente está um capricho.

Os diálogos são riquíssimos. É possível desligar-se do mundo e adentrar com as personagens em suas falas e discussões ao longo do livro. O surgimento do ''mundo inferior'' na história é algo muito chamativo. O livro toma proporções melhores quando o contexto passa a englobar de fato os acontecimentos com os Senhores-Sombrios, criaturas da escuridão que atacam sem pena alguma todos aqueles que adentram o seu mundo. 

''Milhares de criaturas passaram por ele, e dezenas abalroavam-se em pleno ar. Caíam nas montanhas, agitavam a cabeça atordoada, saltavam uma ou duas vezes e voltavam a voar desesperadas... As asas de couro e felpos vibravam em espasmos involuntários.''

Como mensagem expostas na obra, é indiscutível o confronto de opiniões, culturas, crenças, ensinamentos e propósitos entre as raças. A perda da esperança - talvez a característica mais importante em cada ser humano, ou uma das mais -, também é lançada na obra como forma de atrair a reflexão:

''- O que pensa que pode pedir aqui, paladino? É um Arauto. Esta é a floresta a qual alcunham de caída, amaldiçoada e morta... aqui é o seu lar, deve perder a esperança, qualquer esperança... Abandone a esperança, meu Arauto.''

Lombada do livro. A arte é realmente muito chamativa.

Um pensamento muito importante a ser retirado da belíssima obra do autor, é a questão da desunião entre as raças no tempo em que se passa a história, que em suma, não se diferencia dos tempos atuais. O título do livro, ''Os Dois Mundos'', pode ser entendido não somente como o mundo dos Arautos e Senhores-Sombrios mas deve ser analisado como - o bem e o mal, o antigo e o atual, o mundo pacífico e o mundo que guerreia, ou ainda sim, as nações que se confrontam ou as raças que se rejeitam em seu próprio país. Hoje é fácil encontrar líderes de governos e nações capazes de tudo em busca de poder e dinheiro ou objetivos mesquinhos, deixando de lado, promessas feitas ao povo, fazendo-os verdadeiros descasos.

''A população multiplicava-se como insetos em um verão caótico. Homens e mulheres chegavam todos os dias em abundância, vindos dos mais recônditos cantos do país, atraídos por promessas de prosperidade e aventuras que podiam estipendiar a todos... Criticavam o clero pela iniciativa da empreitada militar e a revitalização estrutural repentina... As ruas estavam intransitáveis... Os canais d'água, os poços e as cisternas lutavam para suportar a demanda de gente e animais sedentos, e talvez faltasse água.''

''Os Dois Mundos: O Arauto'', como o próprio nome e imagem de capa patenteiam, debate a visão de dois mundos com pensamentos distintos. Um de lado mais sombrio - mas unido -, outro com o lado humano - que tenta se solidificar em mentiras e traições ao seu próprio povo. Segue-se, então, o exemplo de um e condena-se o outro? Ou compreende-se o outro e se nega o belo exemplo de união? Pensamentos importantes ocupam espaço na obra. 

O autor foi inteligente com sua narrativa e certamente usou de sua paciência para desenvolver tão bem todos os enlaces de ''Os Dois Mundos: O Arauto''. Não há somente uma linha de tempo onde se passam os acontecimentos de início, meio e fim que acontecem de forma ligeira. O fator PACIÊNCIA é abordado e retratado no decorrer da obra. Para aqueles que odeiam histórias onde tudo aconteça de forma corrida, se agradará facilmente com o livro de Licínio Arantes Neto, que contou tudo com muita tranquilidade, sem pressa. Vale lembrar que nas últimas folhas do livro há referências e explicações sobre eras, tradições, classes, reinos, etc. Tudo é devidamente explicado para o leitor, tornando ainda melhor a compreensão da história.

Mordrel e seu corcel Ladar, fiel companheiro de jornada, que para muitos soará como representação simbólica de um ser superior que se fez presente o tempo todo como supremo auxílio, demonstrando companheirismo, convidam o leitor para se fazerem presentes nessa jornada onde os tempos dos Arautos refletem os tempos atuais. 

Dessa forma, ''Os Dois Mundos: O Arauto'', escrito por Licínio Arantes Neto e publicado pela Editora PenDragon, deve ser classificado com 5 estrelas. É uma excelente obra, de suprema inteligência e com muitos questionamentos a serem passados ao leitor. Licínio Arantes Neto merece o nosso prestígio, é mais um talentoso escritor nacional. Parabéns! Um último pensamento transmitido por ele neste livro e que se torna muito bom para finalizar a resenha é: ''Devemos enxergar o melhor mesmo no pior dos casos''.



Lembrando que, a segunda parte desta resenha será publicada em breve e nela estará a minha opinião pessoal sobre o livro. Agradeço a Editora PenDragon por novamente confiarem a mim uma de suas publicações. Obrigado!

Não deixem de conferir esse e outros excelentes livros no site oficial da editora



E então, vocês já leram o livro? Gostaram da resenha? Concordam ou discordam da análise? Deixem suas opiniões, elas são importantes.

Agradeço a todos pelo carinho, um forte abraço e até a próxima.



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7 comentários:

  1. Sua capacidade de fazer uma resenha analítica é impressionante.
    Infelizmente, é um dom que eu não tenho. Fiquei imensamente tentado a ler esse livro, embora sinta que, no presente momento, necessito ler obras de outros gêneros que não se enquadrem na fantasia.
    É muito difícil ler tudo. Preciso selecionar conforme meus objetivos.
    Só que sua brilhante resenha instalou um conflito mental em minha pessoa, kkkkk
    Parabéns! Eu tenho profunda admiração pela sua escrita. Você é o meu resenhista predileto. Aliás.... ops, abafa!!! Melhor nem completar a frase, meu amigo. Em outra oportunidade, falo em particular.
    Abraços!

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    1. Poxa, feliz com seu elogio. Obrigado. Recomendo que leia quando quiser.

      Um forte abraço.

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  2. Muito bom! 406 paginas, fiquei curiosa para ler!

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    1. Kkk, se assustou com o número de páginas? Leia sim, e muito bom.

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  3. Obrigado pela resenha Léo, ficou excelente! Muito bem escrita!

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    1. Valeu querido autor, feliz que tenha gostado. Parabens pelo livro, é excelente.

      Obrigado.

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd