sexta-feira, 15 de abril de 2016

Resenhando: ''Treze'', livro de Duda Falcão publicado pela Argonautas & Avec Editora

Olá, saudações do mundo tenebroso, como estão as suas almas? Hoje venho estabelecer um maciço contato entre a obra ''Treze'' e todos vocês. Duda Falcão e O Anfitrião nos convidam a enxergar novamente os ocorridos do mundo temido por muitos, mas inteiramente apreciável por grande parte dos amigos do horror. As minhas primeiras impressões do ''Treze'', publicado pela Argonautas e Avec Editora foram as melhores e ao decorrer de toda a leitura as  expectativas só acresciam. E como diz O Anfitrião, contos macabros, a loucura e as trevas nos aguardam neste tomo. Venham comigo e reparem os detalhes desta sombria e também histórica avaliação no Marcas Literárias, e tomem cuidado, o desconhecido e infernal poder sobrenatural pode lhes fazer apodrecer caso não aceitem o convite. He, he, he...


Título: Treze
Autor: Duda Falcão
Publicação: 2016
Editora: Argonautas & Avec Editora
Gênero:  Literatura brasileira, contos; Terror/Horror
Páginas: 192


Sinopse: Ao abrir as páginas desse tomo, você encontrará histórias de horror, bem ao estilo das antigas narrativas weird. No universo de Duda Falcão habitam monstros antediluvianos, demônios, vampiros, bruxas, feiticeiros e criaturas reanimadas trazidas das garras da morte. Pessoas comuns transitam nesse mundo das trevas, desde estudantes universitários a fotógrafos, detetives despreparados e crianças inocentes. Confira essa obra e trilhe os caminhos inusitados do pulp.


O Anfitrião e O Corvo se tornaram para mim, ilustres e excêntricos amigos.
Nessa madrugada me aventurei pelo mundo grotesco. Acordei fatigado. O combate foi tenso. Algumas criaturas não permitiam minha volta. Mas eu precisava voltar para lhes contar o que vi. O Corvo, gentilmente, acompanhou-me até o portão de saída. Sinto que mesmo voltando, parte de mim continua lá à espera da minha próxima visita...

Que livro é esse, hein!? Quero, logo de início, elogiar a magnificência da arte de capa do livro ''Treze'', que assim como em ''Mausoléu'', revela com destreza e maestria o universo pulp da literatura. Os admiradores do gênero são logo seduzidos pelo desenho que expressa muito bem o conteúdo que é encontrado nas paginas do livro de Duda Falcão. Fred Macêdo merece os elogios do público. A diagramação está lustrosa. Vejam nas imagens abaixo algumas fotos do material das editoras Argonautas e Avec.





No ''Treze'', o leitor é inicialmente convidado pelo Anfitrião para adentrar nas profundezas desse mundo obscuro e violento. O amigo Anfitrião é excêntrico e consegue preparar o leitor para intrometer-se cheio de desejos em seu ambiente. Logo em seguida, lê-se um prefácio maravilhoso escrito por Marco Aurélio Lucchetti que elucida de um jeito extraordinário o ''Treze'', um opúsculo inevitável no acervo daqueles que se consideram simpatizantes ou aficionados pelo horror.

Duda seguiu um princípio e base semelhante as de ''Mausoléu'' utilizando fundamentos simples mas necessários para o desenvolvimento de ótimos contos de horror. Mas não vale pensar que o ''Treze'' é a mesma coisa de o ''Mausoléu''. Não consegui em nenhum momento confirmar essa desconfiança que muitos com certeza tem antes de ler o livro. Mesmo com as semelhanças, ''Treze'' traz para o apreciador, personagens mais cravados e contos metafísicos que transmutam entre o horror, o fantástico, o estranho e o pulp. Percebe-se também em muitos momentos a influência de H.P. Lovercraft nos contextos de Duda. Os Artefatos históricos, rituais sangrentos, escrituras denegridas, magias negrumes entre outros objetos e criaturas macabras fazem parte dos contos do ''Treze''. Imaginem só que, dessa vez, até a mão de um macaco que tem poderes para realizar desejos e pessoas que saem de fotografias após pronúncias do mal são encontradas no tomo. 

''Talvez fosse ilusão de ótica ou o efeito da droga que o feiticeiro me instigou a usar. O político e a amante foram extraídos da fotografia. Seus fantasmas pairavam horrorizados dentro daquele fogo maldito (...) Os dois espíritos foram sugados para dentro do recipiente (...) pude ver através do vidro semitransparente o olhar de incredulidade e súplica das duas almas roubadas.''
Mais um livro essencial para a literatura do mundo sombrio.

O leitor se sente à vontade com a leitura, que apesar do conteúdo sinistro, é altamente prazerosa e fácil. Duda não é excessivamente metódico em sua escrita e não extenua o amigo leitor. Ele mescla o detalhismo com a objetividade. O ''Treze'' não é chato de se ler.

''O demônio, sem perder tempo, tornou-se vapor negro e entrou pela boca e pelas narinas de Kane. Como se tivesse tomado alguma poção de cura mágica, os ferimentos em seu corpo fecharam-se.''

O autor parece ser bem fiel às suas origens e deixa claro em muitos pontos a sua satisfação em fazer parte dos habitantes de Porto Alegre, citando algumas vezes a localidade em suas histórias.

A lombada de ''Treze'' em destaque.

Os contos

Os contos — embora narrados por personagens diferentes e com enredos díspares — parecem se completar um ao outro. Há coesão nas das tramas mas, mesmo se não houvesse, admiraria-se da mesma maneira pois o terror muitas vezes não faz sentido, assim como o bom e velho rock-and-roll. E, com suas habilidades e talento, o autor consegue ainda, expor alguns momentos reflexivos. No conto ''Abismos Insondáveis'', o fantástico é mesclado com o psicológico e desconhecido.

''Tentei mostrar um pouco do que vejo nos meus sonhos. São abismos. Abismos cósmicos e oceânicos. Abismos insondáveis. De profundidade infinita e misteriosa. Abrigam criaturas que nossa vã filosofia não consegue explicar ou suportar (...) Aquele abismo estelar e aquela coisa sem nome não passavam de um pesadelo, foi o que decidi afirmar para minha consciência abalada.''

Em ''O Vampiro Cristão'', demônios e cães do inferno se apresentam para o leitor. Embora não seja provavelmente o foco principal, o conto levanta uma tese de comportamento e crença. O que seguir? No que acreditar? Como agir? Além disso, reforça as condições da exterioridade do indivíduo — o verdadeiro 'eu' —, que nem sempre leva para o próximo a imagem que ele espera encontrar. Tirante o terror, o religioso e humano também são retratados.

O autógrafo de Duda Falcão no exemplar que recebi. Obrigado amigo!

Os contos de minha preferência são ''Treze'' — que intitula o opúsculo perfeitamente —, ''O Vampiro Cristão'' e ''Dragão de Chumbo''. 

''(...) Procurei pelos meus amigos tentando enganar a realidade. No dia seguinte, os vestígios mortais dos desaparecidos foram encontrados (...) Todas as noites quando me lembro disso, observo o velho boneco na estante do meu quarto. O meu dragão de chumbo.''

As narrativas nem sempre trarão as surpresas em seus desfechos mas eventos extraordinários e importantes sempre fazem parte do enredo. A importância das mensagens históricas sombrosas se torna o eixo para a formação de novos conteúdos de horror extraordinário, fantástico ou sobrenatural. Na Antiga Grécia e nos tempos da Idade Média e Período Egípcio o horror já existia na cultura das civilizações e era introduzido através de rituais e sacrifícios como forma de punição a malfeitores. Havia também lendas que dispunham aos aparatos simbólicos e históricos, poderes sobrenaturais àqueles que se apoderassem de tais utensílios. Muito disso é utilizado na linguagem do ''Treze'' de Duda Falcão, que mostra para os mais jovens leitores, a maestria do horror clássico.

Vale ressaltar que Duda também intensifica a importância das criaturas vilãs, relevando suas facetas e escancarando para o leitor as perversidades do submundo infernal.

''O monstro banqueteava-se com toda a carne, ossos e vísceras da primeira vítima. Aproveitava tudo. Seu volume corporal aumentava em tamanho. Em breve, seria minha vez.''


O título

O título escolhido para o livro é, sem dúvida, perfeito. Vários motivos aclaram isso. Os total dos contos no livro são 13. O universo do tomo é negro e repleto de criaturas bizarras, vultos e vozes, e todos esses elementos juntos personificam com grandeza o terror, que é muitas vezes representado pelo número controverso, 13.

13, o número do horror, das superstições, das sextas-feiras mais tenebrosas. Número também de um certo sujeito, Ezequiel, o 13º filho. Um filho não desejado. Aquele que leu ou lerá brevemente, entenderá exatamente a significância da designação de ''Treze'', de Duda Falcão.


O horror clássico encontrado nesse livro com altíssimas referências do mundo da literatura de terror, escrito de maneira fabulosa por Duda Falcão, é de se tirar o chapéu. O universo dos pulps ainda existe. O estranho e as trevas estão à espera do amigo leitor que se comprometer a encarar essas histórias nas noites mais assombrosas. Classifico o ''Treze'' com 5 estrelas e parabenizo mais uma vez o autor Duda Falcão por seu talento e habilidades intermináveis e a toda a equipe da Argonautas e Avec Editora. Está tudo perfeito. Um livro atraente, sombrio, grandioso e que deve fazer parte das suas leituras. Eu recomendo. Mesmo que o leitor não sinta medo na maior parte da obra, o macabro está lá e sempre te fará arregalar os olhos durante os relatos de seus personagens.


Para aqueles que quiserem adquirir os livros do autor, basta acessar o link abaixo e garantir seus exemplares.

Autor Duda Falcão

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Então é isso meus amigos. Agradeço novamente ao autor Duda Falcão pela confiança e digo que foi uma honra ler e resenhar mais essa obra de sua coleção. Certamente todos nós esperamos por novidades, é sempre bom inundarmos as nossas almas com conteúdos desse tipo, afinal, não podemos contar com a sorte com a nossa caminhada passar pelos domínios do horror.

Comentem e deixem suas opiniões sobre o ''Treze''. Agradecemos!

Um abraço a todos e até a próxima.


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6 comentários:

  1. Resenha show Leonardo. Tu conseguiste passar as principais partes do livro. De fato a parte gráfica do livro é maravilhosa. Duda falcão está de parabéns pela excelência da obra. Forte abraço.

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    1. Fala Luciano, o livro é show. Eu o Recomendo milhões de vezes. Adorei!

      E o que falar dessas ilustrações, hein?

      Esta tudo perfeito.

      Valeu!!!

      Abraço.

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  2. Que TREZE hein!"Abrigam criaturas que nossa vã filosofia não consegue explicar ou suportar".Deu medo, mas deu deu vontade de ler também. Parabéns pela resenha!

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    1. Geh, sinistro esse livro. Extraordinário. O Duda é inegavelmente fantástico.

      Viu só? Até ares filosóficos tem aí. Haha.

      Beijos e obrigado pelo comentário.

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  3. Contos macabros adorei Léo. Terror é um gênero que está me encantando amei sua resenha parabéns!!!

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    1. Luh, valeu! Fico feliz com seu elogio.

      Beijos.

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd