terça-feira, 24 de maio de 2016

[RESENHA] ''O Menino da Lista de Schindler'', editora Rocco

O livro que trago hoje para resenha, fará vocês, leitores, seguidores, amigos e acima de tudo amantes da humanidade, adentrarem ao fim da década de 30 — mais precisamente 1939 — e acompanharem a invasão do exército alemão a Polônia, pungindo milhares de vidas enquanto implementavam suas práticas nazistas..

Vocês já pararam para pensar em como seria viver os tempos do NAZISMO? Já estudamos sobre o assunto na formação de nossa carreira acadêmica mas aposto com vocês que esse acontecimento que devastou países não fora constatado tão profundamente por todos, levando em consideração algumas estórias que vemos por aí, que às vezes, não relatam tão intensamente os ocorridos.

Talvez, mesmo que muitos já tenham pensado e estudado sobre o Nacional-Socialismo, esses pensamentos e conhecimentos — até para os maiores estudiosos no assunto — jamais se aproximarão do que realmente foi sentido e vivido pelos judeus durante os ataques que dilaceraram suas famílias. Esse livro pode te fazer ter uma melhor noção de como ocorrera uma parcela dessa destruição. Relato aqui o compassar mais acelerado do coração e o lamentar inútil mas, humano, das vidas que se perderam nas ruas, casas, fábricas de suas cidades e nos campos de concentração, como o de Auschwitz. Como já prescrito no decurso do livro, ''O Menino da Lista de Schindler é um legado de esperança e um chamado para que todos nós nos recordemos daqueles que não tiveram a chance do amanhã''.


Título: O MENINO DA LISTA DE SCHINDLER
Autor: Leon Leyson com Marilyn J. Harran e Elisabeth B. Leyson
Publicação: 2014
Editora: Rocco, selo Jovens Leitores
Gênero: Juvenil
Páginas: 256


Sinopse: Um pequeno vilarejo, os irmãos, os amigos, as corridas nos campos, os banhos de rio: essa é a verdadeira história de Leon, a história de um mundo despedaçado pela invasão dos nazistas. Quando em 1939 o exército alemão ocupou a Polônia, Leon tinha apenas dez anos. Logo ele e sua família foram confinados no gueto de Cracóvia junto a milhões de outros judeus. Com um pouco de sorte e muita coragem, o menino conseguiu sobreviver ao inferno e foi contratado para trabalhar na fábrica de Oskar Schindler, o famoso empreendedor que conseguiu salvar mais de mil e duzentos judeus dos campos de concentração. Neste testemunho que ficou por tanto tempo inédito, Leon Leyson nos conta sua extraordinária história, na qual, graças à força de um menino, o impossível se tornou possível.


Fui atacado nas primeiras páginas de ''O Menino da Lista de Schindler'' pelo espírito bondoso e inocente do narrador da estória, e mesmo nos primeiros capítulos foi impossível não ter os olhos úmidos enquanto o singelo Leon Leyson, aos dez, inicialmente conta suas aventuras de menino junto aos amigos em Narewka, cidade da Polônia. A exposição de suas memórias contém um alto índice de emoção. Ele relembra as partes mais felizes de sua vida infantil antes de nos mostrar os massacres que viveu durante o nazismo. A estória segue-se por cinco eixos que estruturam a narrativa: inicialmente o pequeno Leyson nos cita Narewka e logo depois a sua família muda-se para Cracóvia, cidade a mais de 5OOkm de Narewka. Lá as coisas começam a desandar e os rumores sobre uma guerra se espalham pela população. E é justamente após sair do gueto de Cracóvia que Leon depara-se com o verdadeiro inferno do nazismo: os campos de Plászow e Gross-Rosen. Esse é o período que mais impressiona no livro. Muitos relatos são fortes e a veracidade dos trechos prende a atenção. Só então, após muito sofrimento, nos deparamos com os relatos finais que relatam uma tímida chegada aos Estados Unidos da América.

Tocante, revelador, intenso.  As crueldades do nazismo aos olhos de um menino.

A narrativa do menino de dez anos expõe também a perda de sua infância, manchada sem piedade pelos atos de crueldade refletidos no cenário mundial. É impossível não se emocionar ao ver a clareza das cenas contadas. É perturbador, devasta a alma e muda o quadro de quaisquer pensamentos ou lições encontrados em artigos de jornais ou revistas, às vezes, tão superficiais. 

Seguindo uma linha semelhante a estória de ''O Menino de Pijama Listrado'', de John Boyne — estória que relata a infância de Bruno, menino de nove anos que não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus —, ''O Menino da Lista de Schindler'' é tocante, real, marcante, profundo e intenso, tão quanto. O sofrimento vivido após a Segunda Guerra Mundial — que iniciava-se com a narrada invasão da Polônia por aquela Alemanha Nazista em 1939 gerando imediatas declarações de guerra pela França e parte do Reino Unido —, trazia a alguns povos, antes desses atos cruéis, em exemplo o Holocausto, a imagem de um mundo perfeito se comparado àquele terror.

''[...] Prezo as lembranças do pequeno mundo em que passei os primeiros anos da minha infância. Um mundo definido pelo amor e pelo carinho da família. O ritmo previsível da vida tornava os raros momentos de surpresa lembranças mais que especiais. Quando penso naquela maneira de viver, hoje tão distante, sinto saudades, sobretudo de meus avós, tios e primos.''

Nazismo: doutrina e partido do movimento Nacional-Socialista alemão fundado e liderado por Adolph Hitler; hitlerismo, Nacional-Socialismo.

Holocausto: Genocídio mais cruel do século XX, onde cerca de seis milhões de judeus foram assassinados durante a Segunda Guerra Mundial. O extermínio étnico foi consolidado pelo Estado nazista e liderado por Adolf Hitler. Mais de um milhão de crianças, dois milhões de mulheres e três milhões de homens judeus morreram nesse período.

Oskar Schindler foi um verdadeiro herói que se opôs ao movimento nazista de ideais racista.

A escrita da obra é muito simples, bonita e objetiva, muito chamativa para o público juvenil, que deve ter o livro como parte de seu acervo histórico. A leitura é envolvente, harmoniosa, flui de maneira gostosa, embora relate sem picuinhas fatos tão desumanos. Esse enredo histórico que inclui o nazismo e seu idealizador como parte central para o desenvolvimento das revelações de Leon, gera um contexto rico que motiva o interesse pela leitura. A descriminalização contra os judeus teve formas descontroladas. O domínio alemão sobre esse povo foi avassalador. Não posso esperar chegar ao término desta avaliação  para aclarar que o livro agora é um dos meus favoritos já lidos. Assim como digo também que, não há como fazer uma crítica da obra sem expor meus sentimentos pessoais sobre o conteúdo que li. É intenso demais, talvez até por ser contado através do ponto de vista de um menino que estava lá, do lado de dentro, que era parte envolvida e que apenas iniciava a vida vendo tantas outras chegando ao fim.

Para aqueles que ainda continuavam vivos, restava então a dissipação da esperança, perda esta que que impressiona e entristece. O leitor se sente impotente e sabe que mesmo se estivesse lá, nada poderia fazer em prol daquela nação.

Senti-me vários momentos envergonhado por ser um ser humano e entender que pessoas como eu foram dizimadas por outras que se achavam superiores e que tinham Hitler — um verdadeiro Diabo da história mundial — como paradigma de raciocínios sinuosos. Senti-me enojado, arrepiado, enganado... rejeitado como um judeu, desamparado como Leon. Vi-me como parte desse mundo podre capaz de gerar criaturas grotescas, imundas e infamantes. Os vestígios que o nazismo deixava naqueles que sobreviviam, influenciavam diretamente no modo de agir, pensar e falar.

''Pouco a pouco, os garotos com quem eu dividira tantas aventuras, que nunca tinham ligado para o fato de eu ser judeu, começaram a me ignorar. Depois, passaram a murmurar palavras ofensivas quando eu estava por perto. Por fim, o mais cruel dos meus antigos amigos me disse que eles nunca mais seriam vistos brincando com um judeu.''

A produção da Editora Rocco é ótima. Para quem curte o gênero, este é um livro obrigatório para a coleção.

Os personagens envolvidos são marcantes. A família de Leon Leyson merece muito respeito e admiração por resistirem aos horrores do Nacional-Socialismo. Sofridos e marcados pelas práticas desumanas dos alemães, não desistiram da luta pela vida e pela dignidade, mesmo em meio às doenças que se alastravam pela precariedade de condições diárias os tornando pessoas cada vez mais debilitadas.

''[...] O dogma nazista agrupava todos os judeus como se fossem uma coisa só: o odiado inimigo dos arianos. Para eles, ser judeu não tinha nada a ver com aquilo que acreditávamos, mas com nossa suposta raça. Para mim aquilo não fazia sentido [...]''

A necessidade de viver em um mundo terrível implantado pelos alemães naquela década, faz dos judeus um dos povos mais representativos, símbolo de sofrimento, injustiça e sorte — para aqueles que conseguiram escapar. Os campos de concentração cujo os judeus eram levados para a morte, tornaram-se ícones históricos do horror mundial. 

''Ao entrar no caos de Plaszów, vi diante de mim um mundo muito pior do que jamais poderia ter imaginado [...] Atravessar aquele portão foi como chegar ao último círculo do inferno [...] Era estéril, triste, caótico [...] Eu era tão pequenino e magro, e meu cabelo estava tão comprido e desgrenhado, que eu podia ser confundido com uma menina [...]''

E vocês devem estar se perguntando até agora a respeito de quem era Schindler, não é mesmo? O aparecimento de Oskar Schindler na estória e na vida do garoto foi, na verdade, o início da salvação de Leon, sua família e uma parcela significativa de outros judeus. Empresário nazista que tratou os judeus com pontas de igualdade e respeito, resistindo e se opondo a ideologia racista. Arriscou-se por vezes enquanto contratava judeus para trabalharem em sua fábrica. Oskar Schindler ousava rebelar-se contra a norma de torturar e exterminar judeus. O herói, disfarçado de monstro, que salvaria a vida do pequeno Leon.

''[...] Para os nazistas, eu era só mais um judeu; meu nome não importava. Mas Schindler era diferente. Ele obviamente queria saber quem éramos. Seus atos mostravam que se importava conosco [...] Alto, robusto, com uma voz retumbante, me perguntava como eu estava passando [...] Ele me olhava nos olhos, não com expressão vazia e cega dos nazistas [...] Eu era tão pequeno que tinha de ficar em cima de um caixote de madeira emborcado para alcançar os controles da máquina.''

Livro Favoritado. Se possível fosse, classificaria com mais de dez estrelas.

Nos dias atuais, nos deparamos com pessoas em situações razoáveis ou até mesmo boas, que reclamam da vida e das dificuldades desdenhando o pouco que tem. Não entendem ao menos que no mundo muitas pessoas sofreram e sofrem coisas que sim, podem ser consideradas difíceis, em consequência de atos realmente cruéis. Óbvio que nenhum tipo de sofrimento é bom ou aceitável e nesse pensamento final não está na balança uma comparação entre tipos de sofrimento. Sofrimento é sempre sofrimento, em qualquer lugar ou para quaisquer tipos de vida. Mas, às vezes, é preciso que entendamos que, tantos por aí podem mudar seus quadros mas não o fazem. Podem caminhar livremente, fazer suas próprias escolhas, estar ao lado das pessoas que mais amam, e mesmo assim, preferem se degredar de suas melhores possibilidades. O mundo é cruel e não sabemos o dia que um novo estopim se acenderá. Para os sem esperança, acreditem, existem Schindlers por aí, que com bons corações, estarão dispostos a usar e praticar aquilo que nós, humanos, deveríamos usar em todos os momentos: amor ao próximo sem critérios raciais ou socioeconômicos e humanismo.

MAIO DE 1945: LIBERDADE — O nazismo chegou ao fim em 8 de maio de 1945, data considerada ''O Dia da Vitória'', pois o Império Nazista rendeu-se finalmente. Já se passaram 66 anos desde o momento histórico do fim da Segunda Guerra Mundial e do nazismo, porém para sempre perpetuará as cicatrizes de toda devastação causada pelo massacre nazista na Guerra e na população.

RECOMENDO a leitura do livro ''O Menino da Lista de Schindler'' para jovens e adultos que querem conhecer uma das verdades do mundo em que vivem. Uma história em que, efetivamente, o grande protagonista não é o pequeno Leon Leyson e sim, o grande herói que salvara mais de mil judeus da morte. 5 estrelas pois é o limite das classificações, favoritado com certeza.



''QUEM SALVA UMA VIDA, SALVA O MUNDO INTEIRO.''

Espero que tenham curtido essa interpretação de ''O Menino da Lista de Schindler''. Por essas semanas o livro encontra-se em promoção em diversas lojas, com preços variando entre R$ 10 e R$ 15. Aproveitem.

A todos, um forte abraço e até a próxima.

REFLEXÃO: ''Ouvi um tiro e logo depois outro. Senti uma bala passar zunindo ao lado da minha orelha; ela perfurou o muro atrás de mim. Soaram mais tiros. Será que algum tinha me acertado? Eu só sabia que estava aterrorizado [...] Do outro lado da cerca de arame farpado em volta do campo, eu conseguia enxergar os filhos dos oficiais alemães exibindo-se de um lado para o outro, usando seus uniformes da Juventude Hitlerista e entonando canções de louvores ao Führer Adolf Hitler. Eles, tão exuberantes, tão cheios de vida, e eu, a poucos metros de distância, exausto e deprimido, lutando para sobreviver por mais um dia.''

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9 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Eita você expôs nessa resenha um como posso dizer "Tudo o que sentiu" e isso me fez ficar com uma vontade de ler essa obra sua resenha tem uma escrita fenomenal adoreiiii

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  3. Beta, que bom que tenha gostado. Dessa vez, deixei um pouco de lado a forma analítica de expressão e priorizei realmente os sentimentos pessoais, assim como o pequeno narrador da estória fez com os seus leitores.

    Acredito que para aqueles que lerem a obra, não só terão uma visão mais humana sobre os acontecimentos do nosso vasto mundo como também se aperfeiçoarão com fatos históricos tão importantes.

    ;)

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  4. Que resenha impressionante meu amigo! Confesso que me envolvi com a tua resenha, e me peguei imaginando de fato os acontecimentos. Não li este livro, mas li a “Lista de Schindler”, este muito bom também. Mas ao ler sua resenha tendo como narrador personagem um menino de 10 anos, me lembrei da Anne Frank, menina que de igual modo sofreu as atrocidades da Guerra mundial, sendo esta judia que ficara pouco mais de 2 anos escondida no porão juntamente com mais 7 pessoas, e que nesse período escreve um diário, que depois o pai publica com o titulo “ Diário de Anne Frank”. No diário, ela aborda as atrocidades, e de como esta se sentia vivendo presa e com medo de a cada momento ser descoberta. Aí é que estar, qual mal fizera? Qual o problema em ser Judia? Essas perguntas ela fazia. O seu mal era ser judia, assim como o nosso menino da lista de Schindler, nascera judeu, com uma marca para não ser aceito, e como você Léo me indignei, ao pensar que o próprio ser humano era capaz de exterminar sua própria raça, mas aí mim pego lembrando do que disse Hobes: “ O homem é o lobo do homem”.
    Sendo assim este homem é capaz de cometer grandes atrocidades e barbaridades, contra sua própria espécie, sendo que este tem o potencial para o bem e para o mal. Assim ocorreu com Schindler, este deu inicio a sua carreira para lucrar, se dar bem com a guerra, mas diante de tantas barbaridades, mudou. Condoeu-se do outro, e começou a ajudar, os condenados e sofridos, defendendo da discriminação, injustiça e violência. Resenha espetacular. Parabéns!

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  5. Geane, muito bem lembrado, a sua citação a ''O diário de Anne Frank'' faz todo o sentido. Na capa do livro, há essa mesma menção:

    A história do menino mais jovem salvo por Oskar Schindler, intensa e real como O diário de Anne Frank''.

    As consequências no Nacional-Socialismo são perturbadoras. Decerto, histórias como essas não podem passar em branco, é de suma importância que se revele sim, as desgraças que pensamentos e atos racistas ocasionaram.

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  6. Que resenha foi essa Leonardo, simplesmente estupenda! Você conseguiu de forma brilhante captar a essência da obra. Penso que ao ler o livro não tem como não sentir todo o sofrimento sentido pelo garoto. É impressionante como o ser humano tem uma imensa capacidade de fazer o mal. Adolph Hitler foi o líder de um bando de homens covardes, que simplesmente por não pertencer a uma etnia, dizia-se superior aos outros, fora um capeta na forma de ser humano. As atrocidades cometidas foram desumanas e absurdamente sem fundamento algum. Parabéns pela resenha, ficou sublime, forte abraço!

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  7. Fala Luciano, concordo quando cita Hitler como um capeta. O cara, para ter pensamentos tão desumanos, pode ser denominado capeta sim. É inteiramente eficaz pensarmos em seus seguidores como verdadeiros covardes. Não são homens, pois homens não fazem tais covardias.

    A imagem do menino em meio ao caos ainda não se desfez de minha mente. Os milhares de judeus mortos no Holocausto e nas ruas, praças e casas, não mereciam deixar o mundo desse jeito.

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  8. Esse livro me lembrou o do Menino do pijama que vc tmb citou acima. Amei aquele livro, tenho certeza que também irei gostar desse. A resenha ficou uma obra prima. Parabéns Léo.

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    1. Obrigado Érica.

      O Menino de Pijama Listrado também será resenhado a qualquer momento por aqui. Embora o foco seja o mesmo as estórias se entrelaçam com personagens bem distintos. Nesse caso, acompanharemos as coisas do lado de lá, a família do pequeno Bruno é liderada por um pai autoritário. Nesse caso, um dos temas é a forte amizade entre Bruno e seu amigo Shmuel.

      Ambas obras, semelhantes e intensas. Obrigado pelo comentário.

      Beijos.

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