segunda-feira, 6 de junho de 2016

[Resenha] ''O Conto do Mundo Perdido'', autor Jefferson Andrade

Olá amigos, tudo bem? Estão preparados para uma aventura mitológica com muitos duelos, seres, magia e descobertas? O livro de ficção fantástica que trago hoje para resenha é intitulado de ''O Conto do Mundo Perdido'' e é o primeiro da série ''As Crônicas do Ragnarok'' escrita pelo autor parceiro do Marcas Literárias, Jefferson Andrade. Quero aproveitar a oportunidade e agradecer ao autor que gentilmente me presenteou com esse livro maravilhoso que exibe de uma maneira atrativa, clara e suave, um enredo em que componentes da mitologia nórdica são aplicados como conteúdo essencial. Ah, e ''acreditem, correr no interior de uma floresta densa logo pela manhã, com centenas de Goblins disparando em sua busca, atirando flechas e uivando de ódio não é a melhor maneira de se ter um desjejum'' mas vamos nessa...


Título: As Crônicas do Ragnarok - O Conto do Mundo Perdido
Autor: Jefferson Andrade
Publicação: 2014
Editora: Kiron
Gênero: Ficção fantástica
Páginas: 332

Fale diretamente com o autor em sua página

Sinopse: Há muito tempo duas grandes raças surgiram, a dos gigantes de gelo e a dos deuses, cada uma tendo seus próprios poderes e seu líder, no caso dos gigantes Ymir e no caso dos deuses era Odin. O poder das duas raças se equiparava, e ambas eram dotadas da imortalidade, mas havia uma diferença muito grande entre elas: enquanto que os deuses visavam utilizar seus poderes para prosperar o mundo que habitavam, os gigantes tinham uma única meta em suas vidas, destruir tudo em seus caminhos...'' Histórias da cosmologia do mundo surgem nas mais diversas religiões, todas encaradas como simples crendices de povos antigos. Mas e se não fosse assim tão simples? E se esses deuses e monstros antigos ainda pudessem existir, além de um mundo imaginário? Nesta aventura, Willian Gregory, um jovem tenente do exército americano, se depara com um mundo mágico e extremamente perigoso, capaz de saltar aos olhos não só pelo fascínio, mas também pelo terror. Em uma incrível jornada dentro do mundo da mitologia nórdica, ele irá se defrontar com seres como elfos, anões e Goblins, e carregará o fardo da sobrevivência de povos estranhos a ele, mas cujas quedas podem gerar consequências catastróficas em nosso mundo.


De início, tudo o que vocês precisam saber é que um humano chega às terras dos reinos nórdicos após passar por um portal que separa os mundos e se torna a chave para deter os planos do atual Alto Rei de Asgard, que pretende dentre tantas outras maldades, destruir o reino e acabar com o equilíbrio entre as raças. Entrar pelo portão mágico e parar nessas terras remotas junto aos amigos heróis protagonistas, foi para mim, vivenciar não apenas uma nova aventura mas relembrar tempos incríveis dos quais eu lia histórias tão semelhantes sobre esse conjunto de mitos.

Mas, o que são mitos? E mitologia? Por qual motivo dá-se o nome nórdico? E, o que é o Ragnarok? Bem, essas são algumas perguntas que realmente devem ser esclarecidas antes de prosseguir. 

Segundo os próprios dicionários dizem, os mitos são fábulas que relatam a história dos deuses, semideuses e heróis da Antiguidade pagã. Eles ainda chegam a definir mitos como coisas inacreditáveis e incompreensíveis, enigmas e utopias. A mitologia é o conjunto desses mitos de determinados povos, ela estuda suas origens e evolução. Dentre tantas mitologias que existem, estão entre as mais conhecidas a grega, romana, maia, asteca e a nórdica — que também é chamada de mitologia viking. Enfim. Para terminar de esclarecer esses questionamentos, chegamos então ao termo Ragnarok, que faz parte do título do livro. O Ragnarok representa o fim do mundo na mitologia nórdica e se deu através de uma grande batalha anunciada que resultaria na morte de pessoas meramente expressivas, inclusive os deuses Odin e Loki, personagens que são partes [obviamente] da obra de Jefferson Andrade


Mais um incrível livro para a coleção.

Agora, já se pode entender que no enredo, o apocalipse dessa cultura já aconteceu. Mas vamos lá, a história não começa bem aí, ela começa no nosso mundo real nos tempos atuais — 2010 —, e o narrador, não participativo do núcleo fantástico elaborado por Jefferson, conta ao leitor os passos do jovem protagonista Willian Gregory, soldado americano que, aí sim, de repente se vê em Asgard, mundo nórdico onde viviam deuses, semideuses e outras raças, como os elfos e anões. Os acontecimentos são bem naturais, nada é apresentado de maneira forçada. Após os trechos iniciais que apresentam o protagonista em uma guerra no Afeganistão, ele e leitor são retirados rapidamente do cenário real e jogados em meio ao mundo de magia mítica. Logo, o aventureiro encontra Irghimund e Gerdall, dois seres que lhes fará companhia por essa terra fantástica e lhes ajudará a compreender melhor sobre a sua própria origem. Um fato muito legal é que o protagonista e os leitores irão descobrindo juntos segredos e enfrentando as circunstâncias desse acontecimento inicial. A trama é repleta de seres como Trolls e Goblins — criaturas repugnantes que se contrapõem a Gregory e seus amigos — e magias, algumas usadas até para fazer árvores ganharem vidas para que ataquem durante combates. 

''Como se sopradas pelos próprios deuses, as árvores começaram a agredir os invasores, sejam com suas raízes que brotavam do chão e trituravam Goblins em poucos segundos, ou com seus galhos longos e finos, que se enrolavam, perfuravam e decepavam os inimigos com golpes rápidos, que por sua vez uivavam desesperadamente de medo e dor [...]''

Pág. 146

O leitor fica bem informado sobre os lugares por onde Gregory e os amigos vão passando e embora na mitologia nórdica não aja uma definição tão exata desses lugares com descrições claras sobre eles, Jefferson Andrade arrasou nos cenários que descreve [com perfeição diga-se de passagem], o que leva a crer que utilizou muito bem as influências de Tolkien nesse preceito. No mais, Jefferson mostrou uma escrita precisa e eficiente que define legal o alicerce da história. A leitura é ótima, confesso que não imaginava encontrar essa facilidade para ler o livro. Há harmonia e as palavras fluem com alegria, isso mesmo, a leitura é alegre e muito atraente. 

''Do lado de dentro do portão, uma longa muralha se estendia formando um corredor [...] O corredor se estendeu por pelo menos trezentos metros, até alcançar um nível circular, onde duas enormes estátuas de pedra se erguiam, com trinta metros de altura pelo menos, que mostravam dois homens cobertos por capas que carregavam uma espada cada, apontadas para o chão [...] Por fim, o último trecho da viagem se dará dentro do rio, pois a esta época do ano o rio sobe muito, inundando boa parte da ravina onde fica a trilha.''

Págs. 34 e 137
A idealização da capa foi feita pelo próprio autor e a arte ficou muito bonita.

A todo o tempo percebe-se os conhecimentos da área militar do autor aplicados ao enredo. A estratégia é um dos elementos mais utilizados por ele em sua história, rica em combates. Armamentos como arcos, espadas  e arenas de treinamento são bem descritos e usados na trama. 

''Além disso, aqui e ali grupos treinavam nas artes militares a céu aberto, seja no manejo de espadas ou com arco e flecha, e em ambos a perfeição parecia não ter limite.''
Pág. 1O9
No quesito aventura e diversão o livro também ganha pontos. A história é bem estruturada, não apresenta 'buracos' e a coesão é aparente. As justificativas para os desfechos e revelações apresentadas pelo autor no seguimento da trama são bem aceitas e realmente fazem todo o sentido. Os diálogos elucidativos são partes cruciais e muito importantes para aclarar leitor e protagonista a respeito de seu passado e seu verdadeiro elo com o mundo mítico. Além disso, transmite bons ensinamentos sobre o tema — mitologia nórdica — e garante boas risadas em determinados trechos. O protagonista é um jovem muito espontâneo e carismático e apresenta em alguns momentos um humor muito natural, encantando com sua simpatia. Em sua jornada ele descobre poderes mágicos que empolgam não só a ele mas também aos leitores, como a ''Força Elemental'' e a Ira dos Deuses, habilidade que lhe permite ver tudo ao redor de maneira clara e eficiente durante os combates. O livro conta também com uma gama de outras magias, artefatos, antídotos fantásticos e outras peculiaridades do reino de Asgard.

''Os homens dominavam uma força extremamente bruta; os anões controlavam o elemento terra, local onde viviam, enquanto que os elfos detinham o comando sobre águas e plantas [...] Cada raça pode manipular um elemento diferente. Os homens dominam o poder dos relâmpagos, o símbolo de Thor; os anões, o fogo, seu principal aliado nas forjas, e símbolo de Loki; por fim, os elfos dominam as plantas e as águas, a base do reino selvagem.''
Págs. 66 e 2O5

Alguns enfoques do livro revelam semelhanças entre os mundos; a existência de conflitos internos entre os povos, a ambição desmedida, a ganância pelo poder e a supressão de povos são elementos que envolvem o leitor através de mensagens que se contrastam com a representação do mundo moderno. Fica visível o vínculo entre o mundo mítico — Asgard — e o mundo real atual — que na história é chamado de Midgard.

''Nada no mundo pode ser eterno, e a harmonia que existia entre os povos aos poucos foi se esvaindo, abrindo brechas para conflitos. O maior problema acabou nascendo por causa da raça humana, que cresceu em demasia, aumentando também sua fome de poder. Percebendo que havia se tornado a mais poderosa das raças, e em maior número, achou-se no direito de expandir seus limites [...] Um grande comício foi formado para discutir as ações dos homens, porém não houve resultado [...]''
Pág. 48
Autógrafo e dedicatória do autor Jefferson Andrade. Obrigado!

A caracterização dos personagens foi aprimorada com louvor. Os elfos e anões, por exemplo, são seres muito peculiares que sempre me agradam em histórias do gênero. Com carisma próprio, habilidades fabulosas e cheios de truques e belas respostas para questionamentos, aqui n''O Conto do Mundo Perdido'', fizeram um papel muito agradável, adorei o comportamento deles na trama. Até personagens secundários que são sempre importantes para avolumar o contexto e deixá-lo mais encorpado e verossímil estão encaixados e se casam muito bem todos os recursos apresentados. No geral, os personagens conseguem ultrapassar aquela barreira da imaginação e se tornam bem convincentes. Gorvak, o Alto Rei que representa o oposto da idealização de conjuntos benéficos para a nação de Asgard, é muito bem trabalhado. Cruel, covarde e ambicioso se torna marcante e ganha um alto valor na história. Assim como Gregory, guerreiro valente, persistente e divertido, que conquista a cada ação. Vale lembrar que até para aqueles que não são tão fãs do gênero, o livro deverá superar as expectativas.

''Gorvak é motivado por duas questões em seu domínio: A ambição de governar a todos, que é o principal, mas existe um fator secundário que não menos importante, que é a vingança de todos aqueles que destruíram sua família e lhe causaram tanto sofrimento.''
Pág. 168

Com relação a diagramação do livro, pode se definir que é bem bacana. As letras tem tamanho adequado e há figuras que ajudam a melhorar a imagem final do material. O autor apresentou um prólogo, 25 capítulos e um epílogo  que nem sempre são tão grandes , o que impossibilita a leitura de ficar arrastada. Ah, gostei também da arte exibida na capa do livro, achei bem original.


As ilustrações do livro dão um charme ao material.

As ocorrências finais geram um espetáculo fantástico. A batalha é dura e muito competitiva. Talvez eu não tenha elucidado de maneira tão competente a grandiosidade da obra mas confesso que meus conhecimentos agora estão mais sumos se comparados há dias antes da leitura. 

Desde pequeno curti essa mitologia de deuses e povos nórdicos embora nunca tenha me aprofundado tanto no assunto. Fiquei muito contente em relembrar leituras da pré-adolescência e estudos da juventude, revendo nomes já conhecidos como Asgard, Odin, Loki, Alberich, Zigmund, e viajando por lendas tão interessantes. Percebi que de início Jefferson Andrade não quis se radicar tanto nos assuntos mitológicos  o que passou a acontecer com mais frequência nos últimos capítulos — mas em tese esse desígnio serviu como âncora para organizar e formar a trama. Certamente ''O Conto do Mundo Perdido'' é um livro muito inteligente que conquista o leitor pela forma em que os assuntos são transmitidos. É uma aventura leve, empolgante e sadia, que pode ser lida por todas as idades. Um dos meus capítulos preferidos é o 14, intitulado ''A ponte Bifrost'', que apesar de não conter duelos em seus trechos me conquistou pelo teor informativo que apresenta. A evolução do protagonista na obra também é muito evidente assim como o ódio existente entre as raças, o que me levou novamente a enxergar o mundo atual dentro do cenário mítico. A determinação, a força de vontade e a persistência são mensagens que retirei do âmago central. Entendo que ao lermos uma história onde há valentes guerreiros envolvidos em batalhas, a mensagem clara de coragem é logo entendida, mas o ensejo também é importante. Gregory permitiu-se sair em busca de sua missão e encontrou muitas maneiras de se aperfeiçoar. É importante aproveitar as oportunidades, elas podem ser únicas.

Na classificação o livro merece 5 estrelas. A proposta do autor Jefferson Andrade, que merece o nosso prestígio, foi inteirada. Senti-me,às vezes, como num jogo de RPG, em combates diretos contra trolls e em busca de um objetivo único, aperfeiçoar-me e restaurar o equilíbrio entre as raças de Asgard e Midgard. É inteligente, instrutivo, empolgante e, claro, mítico. Parabéns ao autor!


Espero que vocês tenham gostado e compreendido o esplendor que envolve este livro. O autor conseguiu um feito bem interessante  uniu suas habilidades militares e históricas num enredo fantástico, ao mesmo tempo que incluía em algumas linhas, vestígios de suas inspirações literárias.


Quero saber a opinião de vocês e aguardo os comentários. Você já leu o livro? Já conhecia o autor? Conta aí e deixe sua marca aqui no blog.

Abraços a todos e até a próxima.

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8 comentários:

  1. Obrigado pelas palavras meu amigo... Fico feliz que tenha causado essa boa impressão, o que me motiva a trabalhar cada vez mais para produzir histórias ainda mais empolgantes. Um grande abraço e obrigado pela força!

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    1. Eu o agradeço pela aventura com Gregory e os demais. Entender um pouquinho mais e relembrar alguns conhecimentos sobre essa mitologia foi muito valioso. Receber você e sua obra aqui no Blog, é para todos da equipe, uma imensa satisfação.

      Abraços a você e parabéns, livro fantástico literalmente.

      :)

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  2. Resenhaste de forma maravilhosa Leonardo! Pelo que eu li na sua análise do livre, é um enredo bem rico, cheio de fantasia e a mitologia nórdica, é muito interessante e ao mesmo tempo complexa. Deixo aqui o meu parabéns ao autor, pelo excelente trabalho desse livro. Forte abraço!

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    1. Grato aos elogios Luciano. Aguardo ansioso alguma resenha sua aqui no Blog, que agora, mais que nunca, também é o seu espaço.

      Não foi tá fácil escrever a análise, o livro é bem amarrado, com personagens e raças bem definidas.

      Espero que tenha conseguido passar de uma maneira clara, o meu entendimento sobre a leitura.

      Valeu!

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  3. Olá amigo, tudo bem?

    Bom, adorei a resenha, muito bem construída, e em especial quando você vai esclarecendo alguns termos no começo da mesma. O livro parece ser sensacional, o enredo aparenta estar bem polido, e escrito de forma clara. Adorei a forma que ele começa a escrever, ou seja, correlacionando o nosso mundo, com o mundo mitológico, isso para mim é um ponto alto, porque não fica muito fantástico o livro, tem mais aquela pegada cotidiana, saca?

    Sobre a diagramação, essa ele já me ganhou. Colocando figuras... Amei.

    Parabéns ao Léo, que fez esta maravilhosa resenha, e ao Jefferson, por este excelente trabalho.

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    1. Gabriel, obrigado.

      Tenho a certeza de que você se alegrará com o livro, que além de muito bonito traz pra gente esse enredo excelente.

      Valeu, sua presença por aqui é sempre agradável.

      Valeu!

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  4. Adorei a resenha, penso que essa forma de nos situar e definir tais palavras fica tudo mais interessante. Sem contar que enriquece o texto.
    Livro interessante , pois nos retrata assunto de extrema importância , onde o Poder se faz presente, raças que se coloca melhor que a outra.
    Tenho um gosto especial por mitologia, o mito se fez presente desde o inicio dos tempos, pois quando havia assuntos de difícil explicação se utilizava tal meio. E assim sendo, se impunha respeito. Belíssima resenha, parabéns!!!

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    1. Geh, eu também adoro mitologia, seja grega, romana ou nórdica, acho muito interessante os assuntos abordados.

      O autor me conquistou usando suavemente esse tema. Recomendo.

      Muito obrigado por sua presença e comentário, sempre abrilhantando o blog.

      Valeeeeeu :)

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd