segunda-feira, 13 de junho de 2016

[Resenhando um clássico] ''Oliver Twist'', um romance de Charles Dickens

Olá galerinha literária, tudo beleza? Hoje quero compartilhar com vocês uma visão bem simpática que tive a respeito do livro ''Oliver Twist'' escrito pelo romancista inglês Charles Dickens em 1838, autor que certamente contribuiu na ideologia das críticas sociais na literatura inglesa. Creio que o livro em tese seja conhecido por muitas pessoas, que mesmo não o tendo lido, o rememoram ou pelo título ou pelo filme, um deles adaptado ao cinema em 1948 por David Lean, e outro — mais afamado e conhecido pelo público moderno — com sua versão lançada em 2005 por Roman Polanski. Já devo afirmar que sou fã [do filme] e adoro essa versão mais recente. O livro foi novidade pra mim, mesmo sendo escrito muito antes da obra cinematográfica ser lançada, eu ainda não tinha tido a oportunidade de lê-lo por completo. Um fato interessante é que em 1870 Machado de Assis tornou-se o primeiro a traduzir ''Oliver Twist'', mas somente até o capítulo 28. Depois disso, a Editora Hedra deu continuidade ao trabalho. Venham comigo então, vou contar o que espera os leitores nesse romance de Dickens, autor que também era conhecido como Boz.


Título: Oliver Twist
Autor: Charles Dickens
Publicação: 1838 [Original] - 2012
Editora: Melhoramentos
Gênero: Literatura Juvenil
Páginas: 288


Sinopse: Inglaterra, século XIX, Oliver Twist chegou ao mundo numa noite bem fria e nada promissora. A mãe morreu em seguida, e ninguém tinha a menor idéia de quem fosse o pai. Órfão e pobre, o menino passou por todo tipo de privação, até ser vendido a um coveiro. Maltratado, acabou fugindo e foi viver nas ruas de Londres, onde conheceu Fagin, chefe de uma quadrilha de meninos especialista em furto de jóias. É o início de uma história comovente, cheia de desafios e reviravoltas. Obrigado a roubar, Oliver começa a se meter numa grande enrascada, mas nem imagina que, em meio a tamanha confusão, o destino trará à tona os segredos de sua origem. Tradução e adaptação de Sandra Pina. Ilustrações de Kerem Freitas.

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''Oliver Twist'', romance que se passa em meados do século XIX, escrito por Charles Dickens, retrata com perfeição entre muitos outros temas que também serão identificados no decorrer da análise, principalmente as condições precárias da sociedade inglesa — que porventura influenciaram diretamente na formação marginal do nosso querido personagem órfão, Oliver Twist. De início, veremos a sorte de Oliver se formar mediante a consequências de acontecimentos dolorosos, marcas de uma infância ruim e miserável na grande Inglaterra. O menino foi levado para uma paróquia — onde viveu até os seus nove anos — após a morte de sua mãe durante o parto em uma casa de correção. O que não imaginava é que voltaria para essa casa de correção onde viveria momentos infelizes ainda pequeno, passando por maus-tratos, tanto físico quanto psicológico, atingindo diretamente a sua parte moral, ainda em criação. Após uma série de desventuras humilhantes, Oliver vai se empenhando como aprendiz em algumas atividades enquanto era ''comercializado'' e passava de ''mãos em mãos'', parando sob a guarda de alguns ''tutores'' que se responsabilizavam por ele. Muito engenhoso e dinâmico o garoto, em meio as durezas que encontrava, aproveitava para retirar boas lições de cada momento.

''Ao acompanhar o mestre na maior parte dos enterros de adultos, também para que pudesse aprender a serenidade de comportamento e controle emocional essenciais a um agente funerário profissional, Oliver teve a oportunidade de observar e se surpreender com a forma como as pessoas lidavam com suas perdas.''

O protagonista, que evolui muito durante a história, demonstra para o leitor o seu jeito meigo e inocente — pelo menos até certo ponto ou em alguns trechos da obra —, e tenta sobreviver do seu jeito, transitando entre aventuras e desventuras que o moldam precocemente. Oliver mostra-se um bravo e insubmisso menino que gosta de contestar as ordens de seus ''tutores momentâneos'', opressivos e gananciosos. Falando em personagens, o romance apresenta uma variedade enorme de figuras, cada quais com seus papéis importantes na construção geral do fundamento central. Praticamente todos eles influenciam diretamente no produto final e os efeitos sobre essa inferência são sintomáticos. ''Oliver Twist'' está longe de ser um romance superficial. O filme — ao menos o de 2005, que vi diversas vezes — é bem fiel a apresentação encontrada no livro. Os relatos são fantásticos e mesmo representados por uma ficção, ostentam um grau forte de crítica e costumes da sociedade inglesa daquele século como também as doenças que rondavam a parte pobre da população.

''Em boas famílias, quando um jovem não consegue um lugar vantajoso, é costume enviá-lo para o mar. O conselho, imitando esse exemplo, resolveu despachar Oliver Twist em um pequeno navio mercante o mais rápido possível.''

É exibido um repertório sinalizador de lastimáveis feitos. Alguns personagens exploram o lado inocente de Oliver Twist e, ao mesmo tempo em que ajuda o menino, o coloca de vez no mundo da delinquência infantil. Os pequenos roubos e as sucessivas mentiras logo fazem parte dos costumes de Oliver, assim como certamente existiam em meados do século XIX, naquela mesma população que Charles Dickens via escurecer. As reviravoltas encontradas no romance são pontos chave para conceituar uma análise final da obra; entende-se que serviram, assim como em muitas outras obras literárias, para retirar o conjunto intrincado do centro comum e pensativo onde tudo pareceria apenas mais uma história óbvia, sem graça e repetida. O pequeno menino transmuta-se entre erros e acertos diversas vezes e por trás disso, claro, há as influências. Alguns personagens causam indignação pois levam Oliver aos piores momentos e ao caminho da transgressão; e o menino que se mostra doce, inteligente, promissor e muito intuitivo — um personagem que pode ser perfeito para qualquer leitor —, independente de ser criança, também passa a trazer com suas ações, às vezes, certa intolerância e desgosto.

A estrutura clássica apresentada por Dickens em ''Oliver Twist'' é maravilhosa, e embora muitos atualmente não a considerem tão verdadeira assim, há valiosas referências de planos históricos. A sociedade inglesa da época vivia o período da Era Vitoriana — época do reinado da Rainha Vitória — e a plebe passava por situações precárias. Foi um período onde a prosperidade existiu para os burgueses e o país vivia um forte avanço tecnológico — a consolidação da Revolução Industrial. Para o populacho a miséria era o que lhes cabia. A mão-de-obra barata sobrava para os adultos e crianças que não tinham família  — o pequeno Twist e outros personagens como Fagin, o velho que o recebeu no abrigo e o treinou junto aos outros meninos para roubos, eram parte desses. Um dos exemplos mais comuns sobre essa diferença entre classes da época era expressada também na forma de se vestir. O livro, quando bem analisado, torna-se um verdadeiro estudo sobre a sociedade inglesa e seu progresso, que também exibia uma disciplina rígida em relação ao moralismo, com preconceitos fortes e proibições severas. Para aqueles que gostam de obter conhecimentos históricos, o obra transmitirá muito sobre essas questões. 

Essa proporção histórica torna o romance um dos mais importantes escritos na época. A partir da verdade que vivia aquela sociedade, as consequências na vida daqueles que não tinham uma família abastecida por um forte poder econômico são exibidas abertamente em meio as aventuras empolgantes em ''Oliver Twist''. O ponta pé crucial para o desenrolar de toda a história é justamente isto, a crítica social de Dickens. 

A obra é maravilhosa, o estilo clássico de Dickens assemelha-se em certos momentos ao encontrado nos livros de Machado de Assis, contudo Dickens utiliza uma escrita mais direta. A edição que li apresenta algumas melhorias ortográficas para facilitar a leitura dos mais jovens. É uma versão escolar para uso principalmente do Ensino Fundamental II. O livro é mesmo indicado para leitores acima de seus doze ou treze anos que poderão até entender algumas das amplas mensagens do romance, se não, se sentirão empolgados e atraídos pela boa aventura. Há belas figuras e a diagramação torna a leitura muito agradável.

Uma ênfase para o ''desperdício'' de talento e raciocínio, que ainda hoje é comum na parte menos favorecida das sociedades. A entrada para o mundo marginal é consequência direta de falhas graves de governo, mas em alguns casos a famosa ''falta de opção'' é usada como justificativa. Verdade ou não, é inegável a perspicácia de aliciadores que usam suas técnicas de domínio psicológico — principalmente em menores — estimulando-os a práticas marginais, barganhando alimentos e abrigos como recompensas. Fica claro também as consequências penais perante a lei e isso, independente de geração. sempre será uma das possíveis consequências finais para transgressores. Nos 53 capítulos Oliver passa por maus bocados e se envolve em muitas desventuras, porém, é possível ver que o garoto tem um bom coração e de certa forma, como muitos acreditam, estava em uma busca incessante por algo ou alguém, que lhe estendesse as mãos e lhe mostrasse uma saída. Apesar dos estragos impostos em seu destino, os amigos que encontrou após a fuga para Londres, lhes serviram como esse apoio. Vi e entendi a dificuldade humana e suas delinquências pré-anunciadas e pré-julgadas [de e por] ambos os lados. Senti a ignorância pousar em almas bondosas e preenchê-las de ganância num âmbito de lutas pela sobrevivência em torno de conflitos sociais.

''A corte estava repleta. Olhos inquisidores estavam fixos em um homem: Fagin. Lá estava ele, com uma mão no apoio de madeira à sua frente, a outra segurando o ouvido e a cabeça inclinada para frente para ouvir claramente as palavras do juiz [...] Quando os pontos contra ele foram descritos com terrível precisão, olhou para o seu advogado num apelo mudo por algo a seu favor. Fora isso, não se movia.''

O destino de todos é selado de maneira leal às suas ações e algumas surpresas aguardam aqueles que folhearem as páginas de ''Oliver Twist''. O clássico é figurativo, muito simbólico entre os romances clássicos da literatura mundial. Eu recomendo até mesmo para quem já ou somente tenha assistido aos filmes. Doloroso, cruel que expressa uma realidade. Guinado, com muitos revertérios e tocante por envolver personagens tão jovens e puros em situações pesadas e desafortunadas. Além disso, levando em consideração o entretenimento, a aventura vai rolar solta. 5 estrelas com louvor para este belíssimo e marcante clássico mundial.



Espero que tenham curtido essa simpática análise sobre ''Oliver Twist''. Deixo um forte abraço a todos vocês e os aguardo em uma próxima matéria.

Valeu!


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4 comentários:

  1. Nossa que resenha esplêndida Leonardo! Resenhaste esse livro clássico de forma magistral, como habitualmente você o faz com muita competência. Gostei dessa capa, bem chamativa, e sobre o enredo do opúsculo, somente tenho a dizer que é fantástico. Parabéns pela resenha, forte abraço!

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    1. Fala Luciano, valeu cara!

      Ótimo saber que o livro que tanto gosto também lhe deixou admirado também. Tanto livro quanto filme agora fazem parte da minha coleção.

      Um forte abraço e grato mais uma vez.

      Valeu.

      :D

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  2. Oi Léo, mais uma grande resenha para nós. Desde a minha adolescência que eu quis ler esse livro, pois na biblioteca da escola que eu frequentava havia essa história mas em quadrinhos, onde eu li várias vezes. De alguma forma sua resenha me lembrou esse tempo bom. Pretendo, agora adquirir o livro e recordar as aventuras de Oliver Twist.

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    1. Meu amigo Ademilson, muito bom receber você por aqui novamente. Fico feliz que a análise tenha o feito recordar bons tempos.

      Oliver é um menino muito inteligente e com aquela tendência de atrair boas aventuras, certamente isso nos conquistou desde o nosso tempo passado.

      Lembro-me dessas revistas em quadrinhos. É interessante perceber como uma história de outra época sobreviveu e ainda consegue marcar gerações.

      Assim que puder, tenha sim o livro, você vai ficar muito feliz por lembrar de sua juventude e pelas aventuras do rapazinho.

      Valeu, abraços.

      :)

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