terça-feira, 26 de julho de 2016

Desvendando ocorrências sucessivas em ''O Grupo'', livro escrito por Saulo Moreira, publicação Editora PenDragon

Olá meus amigos, estão preparados para mais uma resenha? Hoje o livro da vez é ''O Grupo'', escrito pelo autor Saulo Moreira, mais um talentoso dragão guerreiro da querida Editora PenDragon. Antes de começar a análise, lembro a vocês que Saulo Moreira estará junto com a equipe da PenDragon na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo nos dias 2 de agosto às 17:50 e 3 de agosto às 14:20, no estande G074.

Mais uma vez, merecidos aplausos para a editora por receber autores e obras tão habilidosos e marcantes. As minhas expectativas para ''O Grupo'' eram realmente boas, porém, já devo afirmar que elas foram superadas positivamente. Esse ''Grupo'' merece ser conhecido por todos para consequentemente ofertar aos leitores os seus exemplos de comportamento social e as decorrências que falhas de caráter, organização e divisão familiar podem causar no desenvolvimento dos jovens. A leitura carrega traços apreensivos e reflexivos sem deixar que componentes como a beleza da conduta humana autêntica se perca no meio de tantos mistérios. ''A vida é cheia de surpresas. Há sempre coisas que não podemos prever, planeje, prepare-se, mas tenha raciocínio rápido e criatividade, pois a instabilidade da vida é inevitável. Controle o que puder e se prepare para o inesperado.''


Título: O Grupo
Autor: Saulo Moreira
Publicação: 2016
Editora: PenDragon
Gênero: Literatura Nacional - Suspense Policial
Páginas: 250


Sinopse: Em meio às incertezas da juventude, nove amigos pretendem se reunir para jogar RPG após meses separados. Trabalho, estudo e as demais responsabilidades da vida adulta os impedem de jogar constantemente como faziam outrora. O Grupo é um excitante suspense policial com fortes traços de terror e traz em si um debate social. Versa sobre família, explora as diferenças que um ambiente bem estruturado pode causar no desenvolvimento dos jovens e as terríveis consequências que um lar em desarmonia pode causar. Fala a respeito de amizade, de como os integrantes de um grupo heterogêneo, com divergentes visões religiosas, diferenças socioeconômicas e de filosofia de vida podem se unir em tordo do que eles têm em comum, o RPG. Busca debater acerca da influência que jogos e o RPG podem exercer sobre a juventude atual. Tudo isso envolto em uma aura de mistério e suspense onde uma figura encapuzada e mascarada persegue os amigos, e através de um macabro ritual, cobiça expurgar os pecados dos jogadores lavando-os através do sangue. Sem perceber o perigo que correm, os integrantes continuam jogando e se divertindo como bem entendem, mantendo o comportamento libertino regado a bebidas, sexo, diversão e brigas. Acompanhem o desenvolvimento macabro de um assassino que se torna cada vez mais cruel e de sangue frio. Tente desvendar o mistério de quem é o manipulador responsável por todo este drama.

Aquele que pegar o livro de Saulo Moreira para ler, além de acompanhar uma eletrizante trama tecida de maneira brilhante, ganhará um montante expressivo de conhecimento sobre  o comportamento humano e os motivos que condicionam cada ação dos envolvidos no enredo. O leitor trará para a sua realidade esse entendimento de tais ações e as alterações que o meio proporciona para as relações no grupo social. 

De início, fui surpreendido pela objetividade do autor, que sem rodeios, aponta situações, possíveis circunstâncias, esferas e seus protagonistas. O suspense policial tem uma caracterização de personagens muito bem definida e uma pitadinha extra de estilos de escrita bem marcantes e viciantes. Essa explosão de definições também é usada para passar pontos precisos sobre o ambiente — meio social — e empolga causando excitação pela maneira que é emitida. Conhece-se Eduardo, o rapaz de físico bem definido; Júlio, de sorriso orgulho e ''dreads'' nos cabelos; Samuel, o ''meio'' gordinho do grupo; Carlos, o desatento; Carol, Riani e Pedro que se identificavam bastante com Rodolfo, o supremo senhor, o mestre manipulador nos jogos de RPG; Sabrina, de pai ciumento e superprotetor, além de alguns outros personagens participativos do enredo. Essa turma de amigos curte jogos de RPG e depois de tempos separada passa a se encontrar novamente para organizar as partidas. A cada reencontro, laços mais estreitos se fazem e muitos vícios e segredos vêm à tona. Na obra fica evidente a diferença socioeconômica, religiosa, filosófica e comportamental de cada um dos personagens. Isso foi emitido com brilhantismo e o autor soube fundir com idoneidade às analogias de cada um também. A propósito, os jogos de RPG identicamente são bem definidos e o leitor fica a par de como tudo é estabelecido nas partidas.

A perfeição nos diálogos da história remetem o leitor a um estado crítico de condição social, deixando manifesto o modo de comportamento de cada personagem. Descobre-se a despretensiosidade desses personagens quanto aos seus exteriores. Leitor e figuras se encontram em um cotidiano muito normal, comum para uns e atípico para outros — no que diz respeito aos jogos de RPG —, mas a similitude social logo joga para escanteio a desconfiança do leitor ao pensar que a obra não causará reflexão sobre o sociável. em alguns trechos, a retratação sobre o descaso das autoridades quanto ao meio público é apontada francamente. ''Havia uma pista de skate quase no centro dele, mas que acabou ficando coberta por rachaduras e sem nenhuma condição de uso. Também tinha um pequeno palco para shows e apresentações, rodeado por uma ampla área verde, com jardins, árvores e um bosque, espaço suficiente para famílias fazerem piqueniques. No entanto, com o total descaso da administração da cidade o parque foi se deteriorando, os jardins já não eram mais bem cuidados, a iluminação se tornou precária, e ao passar dos anos deixou de ser um recanto para famílias e começou a abrigar a parte renegada da sociedade. Tornou-se um local de venda e consumo de drogas, quase um terreno baldio, escuro e mal frequentado.''

O grupo retratado traz à tona os problemas típicos de uma sociedade perdida, deixada ao acaso, corrompida ao longo das décadas, inutilizada por inúteis e incompetentes do poder. Os jogos, aqui mencionados, simbolizam mais do que o simples prazer pela prática propriamente dita. Desenha o retrato dos confrontos NA VIDA e PELA VIDA; associa o grupo jovem da sociedade à totalidade de suas incertezas e inseguranças e, ao mesmo tempo, induz o leitor a refletir sobre seus próprios atos a favor e contra o meio social, assim como também o questionamento sobre QUEM É QUEM e EM QUEM se pode realmente crer. 

Em ''O Grupo'' vê-se um roteiro inteligente e bem traçado, robusto, encorpado com diferentes temáticas, tanto individuais quanto coletivas, embora o eixo apelativo seja um só. Além do mais, durante a leitura acompanha-se o retrato da estrutura familiar e as consequências que diferentes modelos socioeconômicos causam em cada jovem. A busca pela similaridade — o gosto pelo RPG, festas, bebidas — que os torna parte igual de uma sociedade desigual, medíocre e fraca ao ponto de excluir muitos elementos apenas por aspectos inestéticos e ilógicos é um dos pontos a se pensar durante a leitura. Resultantes a isso aparecem as brigas no âmbito familiar, a desestruturação individual, o consumo de entorpecentes e bebidas alcoólicas, e o preconceito racial. ''Tanto playboy com a vida boa. Dinheiro para fazer o que quiser, poderiam estudar e garantir o futuro deles, mas não. Por qualquer coisinha eles se enfurnam nas drogas. Qualquer probleminha é motivo para ficar chapado. A vida é injusta. Eu aqui cheio de vontade de crescer e me desenvolver. Precisando imensamente de uma chance e tanta gente por aí desperdiçando o dinheiro dos pais.''

A forma como o autor mostra os assuntos que compõe o livro me fez avaliá-lo e assemelhá-lo a um catedrático. Sua maestria fica comprovada desde as primeiras páginas. Alguns dogmas são expostos ao leitor situando-o em relação a mitos, como a influência de jogos no comportamento dos jovens. Mas nada é transmitido de maneira forçada. Uma sociedade já conhecida por todos é apenas apontada sem vendagens, possibilitando o leitor a assumir o seu papel no enredo. 


O vilão, misterioso encapuzado de voz metálica, dá ao enredo o seu valor enigmático e perturbador que tanto é importante para elucidar respectivos conceitos. Alguns personagens apresentam características e ações suspeitas e a procura pelo assassino encapuzado que cria seus rituais macabros para justificadamente ''purificar'' com sangue os jovens jogadores, torna-se muito mais interessante ao conflitar algumas atitudes absortas com o clima criado na trama, por sinal, muito bem lapidada. ''Parecia um fantasma, a cruz vermelha que pintara na altura do peito era quase imperceptível naquela semiescuridão. O branco da paz com o vermelho do sangue. Seria isso que ele traria para o grupo. Traria a paz através da morte, do sangue que jorraria de cada um deles.''

As práticas ocultistas desse personagem deixam o suspense tenso, e a trivial  tese sobre a crença na ação por influência de poderes supranaturais como a magia, é levantada, fazendo uma perfeita aclaração sobre o uso hipotético desse controle, em que a manipulação macabra coloca em foco termos como o desejo pela dominação e poder. ''O corpo foi encontrado com quatro cortes, dois na altura dos pulsos e dois nos tendões. Os investigadores acreditam que o desejo dos assassinos era cortar os Tendões de Aquiles [...] Já era hora de tomar mais uma vida [...] Ele pegou a mochila, deixando o resto como estava. Os dados jogados no chão, cobertos pelo sangue dos inocentes, assim como as fichas.''

Vestígios da área de psicopatia ficam evidente como um dos assuntos abordados e, para o leitor, basta encontrar a resposta para a velha pergunta: afinal, os jogos são mesmo capazes de influenciar o psíquico dos jogadores? Mas, e quanto a desatenção da sociedade com relação a formação e desenvolvimento de caráter do jovem, não seria um dos fatores para essa alteração comportamental? 

A escrita de Saulo é alinhada e a estrutura usual das palavras define e garante a receptividade do leitor. Dessa forma, a leitura fica célere e fácil permitindo o acesso imediato ao universo apresentado. Os personagens foram idealizados surpreendentemente e jogados em um campo intimidador; comum mas aterrorizante e atual, onde práticas de sexo, consumo de bebidas e brigas são banalidade no grupo. Tudo se desenvolve como cenas de cinema com o velho suspense que ronda a busca pela assassino frio. A capa do livro retrata perfeitamente todo o enredo e a revisão ortográfica caprichou.

O desenrolar deixa claro a competência do autor em explorar tais assuntos. Acredito que a idealização de caráter e e a conduta no meio social não sofram influências de práticas de jogos, há uma lacuna muito importante que dita esse comportamento psicopata regado de ódio, cobiça e radicalismo. Uma mente mal instruída e despreparada gera falhas e desiquilíbrio na formação de caráter individual. Como diz um dos personagens, jogos não matam ninguém. A sensação durante a leitura foi das melhores. Senti-me instigado, incomodado, reflexivo; em muitos momentos fui capaz de curtir os jogos e me sentir parte do universo do RPG. As risadas também estiveram presente durante essa maravilhosa leitura. ''Todos discursaram, falando da importância da família na vida dos jovens. Ressaltaram que os pais não devem se afastar dos filhos e precisam compreender o mundo que cerca a juventude. Versaram sobre a importância de se ter Deus no coração e não deixar que o mal tome conta de nossos pensamentos.''

Parabéns ao autor pelo empenho, o talento é realmente inegável. 5 estrelas para ''O Grupo'' de Saulo Moreira. RECOMENDO! Comprem, deixem que essa obra faça parte de suas coleções, vocês não vão se arrepender. Agradeço ao autor pela confiança e oportunidade em conhecer o seu trabalho.

O livro é ideal.


A todos, um abraço.

Valeu, até a próxima!


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9 comentários:

  1. Muito boa e bem desenvolvida essa sua resenha Leonardo, parabéns. Parabenizo o autor da obra pelo enredo inovador. O livro é bastante instigante, pois o mesmo apresenta variados assuntos da atualidade. Em geral livros que abordam temas que falam sobre a atualidade me interessam, exceto quando trata-se do mundo virtual, aí meu interesse chega a nivel zero. Forte abraço!

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    1. Valeu Luciano,

      O livro remete as ideias do leitor a episódios marcantes. Sem dúvida, Excelente.

      A importância dos temas abordados é inegável. A escrita é bem fácil e apegante. Adorei o suspense. Recomendo.

      Valeu!!

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  2. Só digo uma coisa:
    Parabéns para o escritor,
    Parabéns para o resenhista
    E parabéns para a editora...

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    1. Valeu Brendo,

      Muito legal receber sua visita novamente. O Grupo é magnífico. Editora e autor merecem aplausos.

      Abraços.

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  3. Oi, Léo!
    Não conhecia esse lançamento, pela sua resenha parece ser uma ótima leitura. Vou anotar a indicação!
    Amei seu blog e tô seguindo aqui, visite o meu e se gosta, siga também! /^-^/
    Beijos!
    Borboletas de Papel | Fanpage

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    1. Olá Aline, poxa, muito obrigado pelos elogios ao Blog. Agradeço!

      Recomendo o livro, você vai adorar. É tudo muito bem desenvolvido, o autor caprichou. Adquira sem medo e com a certeza de que será uma boa leitura.

      Irei visitar o Borboletas de Papel, será uma honra.

      Beijos.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Uau!! Que livro massa , fiquei intrigadacom muitas coisas e quando fico assim, já sei que quero tê-lo pra mim, rs, sem falar na capa, que me chamou a atenção de cara.
    Gostei mais uma vez de sua apresentação. O livro apresenta assuntos vividos e experiementados todos os dias por muitos, Quantos de nós queriamos chances na vida para fazermos de nossa vida algo diferente, pois muitos que percebemos que tem essa chance ou as tiveram, jogram ou jogam ao lixo, fazendo disso algo sem prestigio. Ás vezes me pergunto será que de fato faríamos diferente mesmo? Ou é apenas o desejo de termos essa chance, que nos faz pensar assim? No entanto sabemos que o que vem facil, se vai facilmente. Então o melhor de tudo isso é correr atrás do que se deseja com foco e persistência, o que vinher será gradativamente valorizado conforme a batalha sofrida para conquistá-lo.
    Adorei o livro e amei a tua resenha. Que venham os Jogos!

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    1. Obrigado.

      Faça parte desse grupo, adquira o livro, não vai se arrepender.

      Beijos.

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd