sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Conhecendo o livro ''O Braço da Espada - Aquele que Galgou ao Norte, Livro III'', escrito por Zeca Lima

Olá amigos, no artigo de hoje faço uma análise a respeito do livro ''O Braço da Espada - Aquele que Galgou ao Norte, Livro III'' escrito pelo autor Zeca Lima e publicado pela Autografia. É importante ressaltar que o livro é uma trilogia e o livro #3 é o primeiro. Sim, isto está muito bem explicado logo nas primeiras páginas do impresso, mas podem ficar tranquilos, faz todo o sentido e não prejudicará em nada a leitura da composição. Zeca apresenta ao leitor um arquétipo de fantasia medieval com numerosos personagens e domínios — componentes aqui, originais — mas bem comuns no uso desses modelos. Antes de deixar o leitor encaminhar-se para a leitura, o autor faz umas observações bem inteligentes no gênesis do volume. ''Antes de começar, caro leitor, pense bem se realmente que adentrar a esse mundo. Será cansativo se assim quiser, ou mágico, se assim permitir. Entretanto, quando passar dessa página, não haverá escapatória. Acho que antes de mais nada você precisa acreditar que isso é real; que há algo ao seu redor que torna isso tudo real...'' Deixando para trás o prelúdio desse artigo, vamos à interpretação do volume.


Título: O Braço da Espada
Subtítulo: Aquele que Galgou ao Norte - Livro III
Autor: Zeca Lima
Publicação: 2016
Editora: Autografia
Gênero: Ficção
Páginas: 409



Sinopse: O Livro Três é o primeiro. Em um mundo onde as Leis favorecem somente aos grandes Senhores, onde a Religião é imposta a todos como a única, onde Cavaleiros são os mais nobres guerreiros, e onde os plebeus trabalham e sofrem com os mais altos impostos, uma antiga lição é deixada para trás. Uma lenda é selada e jamais recontada... É então que ressurgem os predadores naturais dos humanos. Criaturas que não são subornadas, facilmente exiladas ou executadas. Criaturas dos olhos escuros que não veem nada além dos frágeis humanos. Esses são chamados de Forasteiros da Noite. Diante dessa carnificina, tocam os tambores... E o poema ressurge. Caçadores capazes de extermina-los. Homens que conhecem algo mais forte que armas de ferreiros e armaduras de aço. Algo bem maior que uma alcunha, uma benção dita ser divina, ou simplesmente um brasão real. Algo muito além do corpo humano. Uma energia dentro da alma, conhecida como Éter. É com isso, que esses homens, conhecidos pelos leigos como Assassinos Solitários e pelos sábios como Filhos do Inverno, estão dispostos a uma antiga lição: caçar as trevas e jamais morrer em vão. Nesse livro você conhecerá os gêmeos Raven e Vidana que tem suas vidas mudadas para sempre. Ele vai para o norte e ela vai para o sul sob a promessa de que um dia hão de se reencontrar. Sete anos se passam e a terra de Calimbra é tomada pelas criaturas da noite. Ele volta como caçador e ela como caça.


''A rosa branca é sinal de uma morte tranquila e varonil, longe de toda tormenta desse mundo. Entreguem-nas a aqueles que morrerão por uma boa causa, protegendo alguém que ama... ELES CRIARAM AS LEIS, E NÓS A SOBREVIVÊNCIA. Aquela frase congelou Raven, e o garoto mal sabia que ela faria parte da sua vida para sempre.''

A explanação de ''O Braço da Espada'' é feita em 3ª pessoa e muito bem estruturada e inteligente, e os acontecimentos narrados são bem encadeados. O autor usa de diversos recursos possíveis do gênero para elaborar a sua aventura. A escrita é singular e bem sofisticada; traços talentosos são enxergados na narração além da técnica e habilidade em desenvolvimento basilar. Em certas ocasiões o autor consegue até se expressar em natureza poética abrilhantando o âmago central. ''Houve uma lenda... Uma arcaica lenda; Que galga com uma voraz neve e temor; tempos nos quais meras crianças tiveram de arcar com uma única escolha [...] "De caçar as trevas e jamais morrer em vão". Somos a Luz em um Inverno tomado de escuridão.''

Fica evidente que o âmbito encontrado em todo o enredo gera um revérbero a tantos momentos atuais da irmandade mundial; Zeca reproduz esse embate sem deixar de lado as caracterizações perfeitas ao mundo citado na história. O detalhismo em suas descrições de ambiência existe, da mesma forma como nos personagens e situações. De princípio, já era de se imaginar que os participantes de ''O Braço da Espada'' seriam mesmo bem trabalhados e transmitiriam com suas ações, muitas mensagens no decorrer do reconto. Há surpresas em relação a evolução das criações de Zeca Lima. Ao terminar a leitura e olhar para trás com intuito de observar a linha de tempo pela qual todos cruzaram seus destinos, há como se ver em estado de fascínio ao notar a qualidade de apresentação que evolui consideravelmente, a aplicação de elementos e obstáculos para tornar a história mais real e contundente — apresentando recursos que trazem problemas e soluções — e a autodefinição harmônica dos personagens que, aos poucos, mostram-se mais peculiares possíveis.

A ordem religiosa  — Rosário  sobreposta ao contexto, atua de maneira severa contra aqueles que se opõem às regras. Essa evidência forma um conceito bem convincente em relação a hierarquia. ''[...] A senhora deu graças aos antigos deuses cirondinos, uma heresia completa para com a Rosário [...] Os cavaleiros a seguraram e amarraram suas mãos, levando-a como prisioneira [...] a Rosário busca levar todos os usuários de magia para a fogueira como punição a essa arte profana.''



O eixo da história se desenrola no reino de Calimbra e tudo começa a desembalar basicamente a partir do momento em que Raven Serk jovem protagonista, irmão de Vidana Serk e filho de Iorke Shousen, antigo senhor da província —, é mandado para uma academia após ver a sua mãe ser queimada na fogueira por ser considerada bruxa e não servir a um único deus. Raven é separado de sua irmã Vidana e em busca de justiça e com propósito de reencontrá-la, percorre por sua ventura se contrapondo à realeza. Nesse tempo, encontra inúmeras pessoas que atravessam sua história preenchendo-o com suas próprias jornadas, formando então o seu destino. ''Drantos era o melhor espadachim da academia [...] Mesmo de nascimento baixo era hábil [,..] tinha um corpo completamente atlético pernas fortes e braços largos. Raven era o oposto. Desajeitado, um tanto acima do peso e fraco. A espada de madeira pesava em sua mão, o colete de couro o desequilibrava e se cansava facilmente. Péssimo espadachim e só se tornaria cavaleiro graças a sua alta nobreza [...]''. Esse trecho depreende com plenitude o título do impresso, além de retratar a exterioridade e habilidade de Raven e Drantos, um camarada da academia.


A jogada da imposição da religião mor constituída na época hierárquica do enredo é um dos pontos mais chamativos da obra. O impresso ganha pontos importantes ao apresentar uma sucessão de trechos marcantes onde esta imposição marca um tempo de avançadas leis que protegem os de maior grau civil. O sofrimento do povo menos favorecido e toda a sua perseverança na luta contra um conjunto de líderes poderosos e intolerantes demarcam também o título da obra. A representação da fé no enredo é ditada como Éter e é com essa energia vinda de dentro da alma que os Filhos do Inverno — homens solitários e assassinos — se dispõem a caçar as trevas e jamais morrer em vão.

Calimbra é composta por lendas que geram em seus moradores a velha sensação de medo e respeito. A construção desse cenário é bem interessante e coesa. Em alguns momentos, essa parte medieval da história ganha todo o ar fantástico e supranatural; seus vilões e heróis, em batalhas do bem contra o mau são capazes de prender o leitor e, em certas ocasiões, levá-lo diretamente como participante. O modelo é convincente; as explicações e características de época, elementos, personagens, lugares e povos são homogêneas. Muitas lições, além de toda a aventura instigante, são passadas através do enredo e geram conhecimento. ''Raven estava no final de seu labirinto. Nele havia diversos testes. Agora havia uma passagem, onde o peregrino deveria criar uma ponte para passar para o outro lado [...] Nossa mente é repleta de obstáculos, muitas vezes maiores que os da vida real. Vozes que não se calam. Pensamentos inconsequentes, distrações e até fadiga mental [...].''

O combate, as traições, a ganância pelo poder — objetivo principal dos grandes homens desde os séculos passados —, a luta pela justiça, a desvalorização da raça e a conquista de valores individuais são algumas das mensagens tematizadas em ''O Braço da Espada, Livro III''. A exemplo de outras histórias do gênero onde o desfecho dos reinos gira em torno do embate desenfreado pela soberania, alguns personagens exprimem essa ambição de forma direta. Os Forasteiros da Noite, criaturas devoradoras da raça humana, analisadas num conceito amplo, simbolizam de maneira retilínea toda a conduta voraz da sociedade atual que, com preceitos ineptos, melindram a massa. ''A criatura o mordeu bem no pescoço arrancando um generoso pedaço que rompeu fazendo o corpo cair sobre o solo. Cindel se remexia sem sucesso em profunda agonia até que perdeu os sentidos.''

Slide de fotos do livro ''O Braço da Espada: Aquele que Galgou ao Norte, Livro III'', autor Zeca Lima.
O autor aborda perfeitamente a política da época apresentada na história. Dá para entender muito bem como os reinos se comportam e em que se baseiam suas regras e condutas. Os diálogos não são de longe, surpreendentes, mas formam um importante sentido ao conjunto da obra, deixando claro a perspicácia do autor que, diga-se de passagem, tem uma escrita agradável e um volume literário grandioso.

O autor não teve pressa para contar o seu enredo, isso resultou em uma história sem lapsos. Certo que, para os mais leigos, a leitura poderá causar fadiga, entretanto a certeza de um bom trabalho é carimbada à obra. O fundamento é muito complexo e extensivo, realmente não há como se ter dúvida do talento de Zeca Lima. A obra é um prato cheio para a literatura nacional e, se divulgado de maneira correta, pode causar burburinhos positivos entre os leitores.

Nas páginas iniciais do impresso há um mapa indicando as regiões citadas na obra. Isso foi importante para situar o leitor sobre a localização exata de cada reino e província. O interessante é que essas regiões são bem exploradas na história e nada soa como artificial. Já nas folhas finais há informações valiosas sobre os clãs e personagens. Talvez, o que tenha faltado no enredo tenha sido um pouquinho mais de ação, combates diferenciados e mortes que causassem surpresas ao leitor. Mas, como ainda é o primeiro livro de uma trilogia, é possível aguardar muitas novidades. Outro revés é que poucas vezes a narrativa pareceu um pouco repetitiva e sem revoluções. Quanto a revisão do livro, vê-se alguns erros ortográficos relacionados a homônimos, travessões e redundância de palavras. Já no tocante à diagramação, nota-se uma elegância distribuída nas folhas brancas do impresso. Os títulos dos capítulos — 19 ao todo, com epílogo — são grafados com letras muito atraentes, assim como em todo o miolo, onde a fonte e tamanho escolhidos são agradáveis. A capa, apesar de não atrair tanto a atenção do leitor, faz uma referência muito boa ao que é apresentado na história.

A mensagem de que para alcançarmos os nossos objetivos precisamos passar por muitas situações difíceis e desvigorantes, e aprender a superá-las a cada passo, é um incontestável ensinamento do volume, e isso fica claro na rota que o enredo segue a partir do instante em que Raven é separado de sua irmã. O seu objetivo principal — cumprir a promessa que fizera para Vidana —, não é esquecido mas no momento em que o protagonista encontra seu trajeto, essa finalidade passa para um segundo plano, trazendo para a camada superior do enredo, a necessidade de sobrevivência, aprendizado e transformação. A amostra da realidade — universo que nos cerca — e seus problemas e segredos mais obscuros também toma a frente dentro de todo esse conjunto de desígnios da obra. Esse modelo de fantasia medieval traçado por Zeca Lima revela a natureza distinta de seus personagens, que despidos da perfeição durante a narrativa, batalham por seus objetivos, às vezes, similares, numa ambientação muito bem desenvolvida e nada contraditória. As lendas que rondam o povo são bem originais e, como já se sabe, a importância dessa temática é enorme, pois a formação da cultura dos povos se inicia através das lendas locais, é isso que dá identidade aos lugares. Os vilarejos citados no livro de Zeca Lima são muito representativos também em razão desses mitos ditos arcaicos. Abandonar a leitura não será uma opção nessa aventura que convence principalmente por razão dos elementos empregados, desenvolvimento e habilidades substanciais. O desfecho dessa apresentação díspar é, até certo ponto, emocionante.

Parabéns ao autor pelo trabalho em ''O Braço da Espada - Aquele de Galgou ao Norte, Livro III''. O classifico com 4 estrelas recomendando-o sem medo para os leitores do Marcas Literárias e demais blogs e cantos, à espera dos próximos volumes.

O livro é muito bom, a história é sedutora.

''Cartas chegavam com clemência de exigências a serem tomadas. Corrompiam-se de desgraça e a cada linha uma hemorragia no papiro, que escureceu [...] Em Varuma a verdadeira catástrofe reinou sorrateiramente.''

Valeu galera, até a próxima.



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8 comentários:

  1. Excelente a sua resenha Leonardo! Que livro é esse hein? Para os amantes de uma fantasia medieval, esse livro me parece ser muito bom.Parabéns ao autor por tê-lo feito com maestria, o enredo do livro é fascinante pelo que li. Forte abraço!

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    1. Valeu Luciano, obrigado.

      O Zeca foi muito inteligente ao escrever esse livro. Acredito que o seu talento ainda tomara proporções bem maiores.

      Abraços!

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  2. Ual! Arrasou na resenha! Escreveu tão bem! Deu até invejinha haha está super elaborada... Estou amando conhecer o blog.
    Beijos ❤
    Jardim de Palavras

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  3. Grato pelos elogios e visita, Melissa. Visitei o seu blog também e posso dizer que é muito bem organizado, gostei do conteúdo. Parabéns.

    Beijos.

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  4. Confesso que esse tipo de gênero não me agrada muito, mas a sua resenha foi tão bem detalhada que me despertou curiosidade.Obrigada por me fazer mudar de ideia,rs.

    :)

    beeijão ^^
    http://www.carolhermanas.com.br/

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  5. Carol, tudo bem?

    Que legal que consegui te mostrar um lado bom do gênero, fico contente com isso.

    Agradeço pela visita e comentário, seja bem-vinda sempre.

    Beijos.

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  6. Confesso que a tua apresentação de fato dar vontade de ler o livro. E penso que esse é o objetivo de uma boa resenha. Diante da apresentação, me vi envolvida com o enredo, e de fato quero o livro pra mim. Claro que o gênero não é pra todos, mas de certo a tua apresentação dar abertura para se querer adentrar na estória. Como sempre, arrasou moço

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    1. Opa, valeu minha querida, mas os créditos devem ser dados ao querido autor Zeca, ele nos captura para a sua jornada em Calimbra junto aos cavaleiros, Lords, criaturas e a plebe. Eu gostei demais de tudo isso.

      Beijos!

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd